domingo, 3 de agosto de 2008

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Depois de uma noite em que fui várias vezes incomodada por pesadelos. Acordo desnorteada e ainda assustada, permaneço ali, deitada estática, pensativa. Logo lembro que nada vai bem e que eu poderia muito bem dormir por mais alguns dias até tudo voltar ao normal ou eu me esquecer.
Acordo Diego, me espreguiço, tento dormir novamente. Nada. O sono já tinha ido embora levando consigo a minha paz. Enquanto Diego tenta assistir um pouco de TV antes de sair, eu como de costume o chamo umas 10 vezes. Fazemos um acordo que só beneficia a ele. Dou banho na Minnie. Ele sai pra trabalhar - nem sequer notou o quanto estou triste e se notou, não disse nada-. Agora fico só, sozinha. Abro a geladeira, - com fome mas com uma preguiça maior ainda- então só bebo água e pego uma maça pra comer. Uma mordida pra mim outra pra Minnie, e assim vai. Jogo fora os 'restos mortais' da maça e vou pro computador. Leio as noticias do dia - ainda com a esperança de ler uma nota avisando o retorno dos Los Hermanos - , abro o orkut, respondo os recados e apago os recebidos pra deixar os "maroqueiros" cada vez mais curiosos. Continuo na Internet, ponho pra tocar umas músicas dos Hermanos. Minha mãe me liga pela primeira vez no dia. Ela: Oi filha, como você ta? Eu: To bem. O que foi? Ela: Nada. Liguei pra saber como você esta e pra saber de você mandou o e-mail ontem. Eu: Mandei mãe. Só isso? Ela: É. - e fica de blá blá blá com outras pessoas- Já te ligo Tchau! Ela também não notou. - Mas porque eu esperaria isso de uma pessoa que nunca me conheceu de verdade? - "Será que alguém me conhece? Como pode uma pessoa ser tão difícil de se conhecer?" Não é difícil compreender. Nunca fui de muitos amigos e os poucos não sabem muito de mim. Muito mistério nenhum segredo, um tanto complexo. Depois de ter passado boa parte da vida com um sorriso estampando na cara até mesmo quando estava triste, aprendi que pouco importa se vou agradar aos outros. O que importa mesmo é eu ser apenas eu mesma, com cara de triste, nariz inchado e olheiras. Não demorou muito ela ligou novamente. Ela: Oi. Espera um pouco - blá blá blá com outro alguém- Eu: Mãe, e ai amanhã? Ela: Ah filha, nada ainda. Reza! Pede pra Deus um milagre. Eu: Tá tchau! -desligo o telefone rapidamente pra terminar logo o papo- Eu furiosa jogo o celular no sofá e em seguida me jogo nele também. Rezar pedindo um milagre. Mas 'vá' milagre. Já faz um bom tempo que eu passei a não acreditar mais em milagre. Acredito em destino. Muito diferente. Fico ali esparramada no sofá junto com uma mínima esperança. Tento manter o controle da minha mente. Ligo a TV, fico passando os canais e nada chama a minha atenção. Desligo volto pro computador. Minha mãe liga pela terceira vez. Ela: Filha, você já almoçou? Eu: Não. To com preguiça. Ela: 'To' passando ai pra te deixar almoço, comprei algo que você gosta. Tem "isso, isso , isso" e feijão tropeiro que você adora. Eu: Ta bom, vou prender o cachorro. Ela: Tu ta triste? Eu: Não,'" não. -desligo- -"Desde quando eu adoro feijão tropeiro? Nem gostar eu gosto."- Ela se salvou porque notou que estou triste. Busquei lá na porta, almocei. "farofa boa essa, hein? depois vou perguntar pra mamãe onde ela comprou esse bandeco." Deixo o resto em cima da mesa da cozinha -acumulando mais bagunça-. Na falta de algo melhor volto a fazer minhas pesquisas na Internet. As horas passam de pressa. A noite já chegou. Contrário de todos os outros dias, exceto aos que estou triste como hoje. A Minnie passou a tarde sem me pedir atenção. -Deve ter notado que quem esta precisando sou eu.- Minha mãe liga pela quarta vez hoje. Ela: -blá blá blá e não para mais. tudo sobre a minha tristeza. depois de alguns minutos Eu: A Sra. não me conhece. Então não afirme isso. Tente entender que sou orgulhosa, não é fácil pra mim pedir favor, principalmente pra Sra. Ela: Minha filha, reze! Pra Deus nada é impossível. Milagres acontecem... - vários exemplos - depois de muito papo, desligo. - Ahhhh!!! Cansei. Não adianta. Deve ser muito complicado pra ela se desapegar a tanta fé e ver a realidade. Sei que pra algumas pessoas a verdade doí e que pra mascarar os fatos, nós nos apegamos em alguma coisa pra não perder a esperança. Mas especialmente nessa situação eu não estou nem com um pingo de fé. Já que no inicio, o pouco que eu tinha fizeram o favor de espantar.
Choro silenciosamente e se barulhento fosse mesmo assim ninguém escutaria.

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